Alexandre Freitas e Ricardo Summa*
A atuação do Banco Central (BC) no mercado cambial no dia de hoje (08/10/2008) ajuda a desfazer alguns “mitos”, tais como: a) o regime é de câmbio flutuante, e b) a taxa de câmbio é determinada no mercado futuro, portanto é ineficaz agir no mercado à vista. Ela serviu para ilustrar a crucial importância do Governo na determinação da “taxa de câmbio de mercado”.
Embora pareça paradoxal essa afirmação, sua coerência lógica deriva da proposição de que as ações do Banco Central definem os próprios parâmetros a partir dos quais os agentes privados constroem suas expectativas. Conseqüentemente, os efeitos e intenções com a injeção de 1,7 bilhões de dólares no mercado cambial podem ir muito além da liquidez diretamente gerada. Isto porque o Banco Central, ao fazê-lo, está indicando um teto para a desvalorização, que por sua vez adiciona um elemento estrutural à formação das expectativas dos agentes privados, e uma conseqüente alteração de suas condutas. Cabe como nota adicional que o BC, em seu segundo leilão, estabeleceu uma taxa de venda bem abaixo da negociada no mercado, a R$ 2,37 por dólar, influindo assim diretamente na taxa de câmbio.
Em segundo lugar, a grande eficácia da intervenção no mercado à vista frente à ineficácia das intervenções no mercado futuro para conter a desvalorização cambial, serve para ilustrar uma segunda questão fundamental: não há primazia do mercado futuro na definição da taxa de câmbio. Na verdade, o mercado futuro permite alavancar apostas sobre o futuro da taxa de câmbio à vista, tornando-se assim um mercado mais barato para se especular com o câmbio, já que o valor do depósito de garantia é apenas uma pequena fração das posições compradas e vendidas. Assim como os economistas políticos sabem há muito tempo que não é possível estabelecer dois preços para o trigo (o do mercado futuro tem que ser igual ao do mercado spot adicionado da taxa de juros), os economistas de hoje deveriam saber que não é possível haver dois preços para o dólar. O conjunto de informações sobre os quais se constroem as expectativas que determinam as compras e vendas tanto no mercado à vista, quanto no mercado futuro são as mesmas. Os dois mercados, conectados via arbitragem, influenciam um ao outro.
Desenvolvendo um pouco mais, um agente pode apostar contra o Real, demandando contratos que pagam uma determinada taxa de câmbio, a qual ele espera que seja superior no futuro. Mas se num momento de crise todos querem comprar e ninguém vender, o preço do dólar futuro sobe, gerando oportunidade de arbitragem entre o mercado à vista e o futuro. Os bancos então buscam comprar dólares no spot para cobrir os contratos vendidos no futuro, pressionando a taxa à vista.
Para formular suas expectativas sobre a taxa de câmbio, os agentes que operam em ambos os mercados possuem um conjunto de informações bastante diverso: i) variáveis estruturais como o saldo de transações correntes, os indicadores de liquidez e solvência; ii) as ações do Banco Central (política cambial e de compra de reservas) e de política monetária (que estabelece o diferencial de juros entre o país e o exterior); e iii) as condições de crédito e liquidez internacionais.
Entretanto, como o mesmo conjunto de variáveis estruturais (listadas acima) comporta um amplo espectro de taxas efetivas, os agentes têm na variação da taxa de câmbio atual um importante parâmetro, a partir do qual realizam suas apostas e tomam suas decisões de compra e venda. Comportam-se, portanto, de maneira adaptativa; já movimentos de curto prazo do câmbio tornam-se a principal informação relevante para determinar a direção do câmbio. Vejamos como se deu esse processo no período recente.
Há um certo consenso entre os economistas de que as variáveis estruturais relevantes para determinar a restrição externa hoje no Brasil são positivas. Reservas em nível recorde, e um saldo de Transações Correntes que embora crescentemente negativo (acumulado de janeiro a agosto um déficit de aproximadamente 20 bilhões) ainda não teve tempo de criar um passivo externo elevado, mantendo bons índices de solvência e liquidez. O Banco Central, por sua vez, vinha atuando em duas pontas. Primeiramente praticando um diferencial positivo e enorme entre nossa taxa de juros e a taxa básica de juros americana (mesmo descontado o risco soberano), o que determinava uma direção de valorização do câmbio, ao mesmo tempo em que atenuava parcialmente esse movimento comprando reservas.
Como as condições de crédito e liquidez internacional pioraram muito, e as noticias de redução da oferta de crédito no mercado privado são constantes em meio ao pânico gerado nos mercados financeiros, era de se esperar alguma desvalorização do câmbio. Mas o que se viu nos últimos dias foi o desmoronamento do Real com a polarização do mercado de câmbio: todos queriam comprar dólares e não havia agentes dispostos a vendê-los.
Mesmo os investidores que possuem dólares fora do país, e que têm certeza de que o câmbio não permanecerá tão desvalorizado, não estavam trocando sua posição para Real hoje pela manhã, com a cotação da moeda ultrapassando 2,45. Afinal, não se sabia qual era o teto da desvalorização. Assim, dada uma demanda elevada por dólares devido à queda do financiamento externo e à saída de investidores independente da perda incorrida (não sensíveis à desvalorização cambial), o movimento de desvalorização não teria limite para terminar. Ao esperar o teto, todos empurram o próprio teto para cima. Trata-se de uma irracionalidade do ponto de vista do funcionamento da economia, mas não do indivíduo: este está buscando tão somente maximizar seus ganhos.
O Banco Central, inicialmente, parou de atuar como comprador de dólares no mercado à vista. Com o agravamento da crise, passou a vender o swaps cambiais, que entretanto não surtiram muito efeito. Isso porque resolvem o problema de apenas parte dos demandantes de dólar, aqueles que demandam proteção contra passivos denominados em dólar. Porém, existem dois outros agentes compradores: investidores que querem deixar o país a qualquer custo e empresas exportadoras e importadoras que necessitam efetuar pagamentos. Esses demandam dólar em espécie.
Mas o mercado privado fechou. Não porque não existam agentes que lucrariam muito ao vender seus dólares a 2,45, principalmente residentes que poderiam ganhar duplamente, no câmbio e nos juros. Mas como não há teto, vale a pena esperar pelo 3, ou 5. A racionalidade individual de buscar mais ganhos de um lado, e a existência de agentes dispostos a comprar dólar a qualquer preço de outro (elasticidade-preço da demanda próximo a zero), fizeram com que o mercado não tivesse teto. A “mão invisível” do mercado passou a agir contra o funcionamento da economia e a empurrar o dólar cada vez mais para cima. A variação de preços apenas acentuava a cautela dos que esperavam para vender e o desespero dos que queriam comprar. No momento especulativo, em que os parâmetros estruturais que baseiam as apostas para o futuro rapidamente perdem significado (diferencial de juros, saldo em transações correntes), os agentes, que se comportam de forma adaptativa, acabam extrapolando tão somente o movimento passado para o futuro. Como o movimento passado era de desvalorização do Real, não seria possível prever um fim para tal tendência.
Entretanto, ao intervir no mercado sinalizando um teto para o câmbio, o Banco Central determinou um teto para o ganho máximo. Com isso ele restabelece a possibilidade de cálculo do agente privado, que ao conhecer o teto consegue calcular o custo de oportunidade entre vender agora ou no futuro quando ele mesmo acredita que o câmbio estará mais valorizado.
Desde 2003, a melhora do saldo de transações correntes e da liquidez internacional geraram uma tendência à apreciação cambial. Como explicado, a própria tendência de valorização torna-se um elemento catalisador, e o único agente capaz de interromper essa trajetória é o Estado. Entretanto, o papel da política monetária nos últimos anos foi de reforçar a trajetória de valorização, ao pagar um prêmio (diferencial de juros) aos ativos em Real, coordenando as expectativas privadas em direção à valorização. A forte apreciação cambial foi o elemento essencial da política de contenção da inflação, de geração de lucros e dividendos para serem remetidos com ganhos em moeda forte, e também da valorização dos salários reais. Mesmo contra todas essas evidências, muitos economistas ainda insistiam em classificar nosso regime cambial como de flutuação livre.
Com a crise internacional, o instrumento juros perde parte de sua eficácia, desmontando a bolha especulativa em cima do Real. A trajetória se inverte, e se no período anterior o dólar não possuía piso, agora, como foi dito, não há teto. A intervenção do BC foi no sentido de cortar essa trajetória. Como foi proposto anteriormente, tal intervenção abre a possibilidade de reabertura do próprio mercado privado, rompendo a inércia causada pelas expectativas adaptativas. Nesse caso, a intervenção do BC vai muito além dos 1,7 bilhões. Entretanto, isso não deve servir de desculpa para o Banco Central pagar a saída dos especuladores que apostavam na bolha do Real. O colchão de reservas é essencial para manter algum grau de liberdade da política econômica num momento de crise, e a maxi-desvalorização, se for seguida de uma maxi-valorização, não afeta muito a economia brasileira ou a inflação, mas principalmente aqueles que apostaram bilhões nos mercados futuros, e que decidiram correr os riscos do mercado em busca de lucro. Conseqüentemente, a utilização das reservas pode se dar para tentar restabelecer o funcionamento do mercado privado, mas não para bancar a um preço razoável uma fuga de capitais às custas de comprometer a estabilidade futura da economia brasileira. Sem reservas para enfrentar momentos mais difíceis, como o já citado aumento tendencial do déficit em conta corrente, aí sim corremos o risco de enfrentar uma queda do nível de atividade e do salário real, comprometendo o crescimento futuro da economia brasileira e o nível de vida de quem vive de salário.
*Economistas do Coletivo Crítica Econômica, Professores da UFRRJ e doutorandos pelo IE-UFRJ.

Excelente artigo.
Um abraço à todos!
Muito bom o artigo.
Parabéns!
É me deu uma esclarecida sobre muitas coisas relacionadas ao BC!!
Parabéns!!
Abraços Professores!!!
Caro Ricardo,
Qual a influência das análises de Krugman no Coletivo?
Abraço!
Fala Felipe,
Os modelos do Krugman não exercem influencia positiva nas análises do Coletivo…
Abs
Ricardo
exelente artigo!
Bem curiosos os seus mitos, Ricardo…
Quanto ao primeiro, nao existe NENHUMA contradicao entre cambio flutuante e intervencao. Alias, eh surpreendente que voce soh tenha descoberto que o Bacen intervem no mercado, afinal o Bacen intervem no mercado todo mes, talvez toda semana, desde sempre. (Como voce acha que as reservas internacionais foram parar la?)
Jah o segundo mito, parece uma peca de humor. “a taxa de câmbio é determinada no mercado futuro, portanto é ineficaz agir no mercado à vista” — nunca ouvi nenhum economista, nao-economista ou vegetal comestivel afirmar que a taxa de cambio eh determinada no mercado futuro. Acho CURIOSO que voces tenham criado esse espantalho. Finalmente, tambem a ideia que existe algum ser humano que acredite que intervencoes no mercado a vista sao necessariamente ineficazes tambem eh bem interessante.
Da proxima vez que tal voces criarem algum espantalho mais interessante ou mais dificil de derrubar? Que tal voces argumentarem que o Bush nao eh um prato de mingau de aveia ou que a Dilma e o Celso Daniel nao sao a mesma pessoa?
Caro Economista 1,
1. Qualquer livro texto de economia define câmbio flutuante como aquele no qual o BC não intervém na taxa, logo, o nosso regime nunca foi de câmbio flutuante pois o BC sempre atuou, seja comprando dolar no mercado a vista (e fazendo swap) seja via manutenção de elevado diferencial de juros, que leva a uma tendencia de apreciação cambial. Nós acreditamos que a política de controle do câmbio é deliberada para controlar a inflação.
2. Existe sim uma tese formulada na PUC-RJ de que, por o mercado de câmbio futuro ser mais liquido, a taxa de câmbio é formada nesse mercado. Alguns economistas da Unicamp também embarcaram nessa …
Segue abaixo a introdução de uma dissertação defendida na PUC-RJ por André Ventura Fernandes que defende exatamente a tese que a taxa de câmbio é determinada no mercado futuro devido a sua maior liquidez.
Você não acredita em espantalhos, mas que eles existem, existem!!!
Abraço
Microestrutura do mercado cambial brasileiro
Introdução
Desde a publicação do paradoxo de Meese e Rogoff (1983), segundo o
qual um ingênuo passeio aleatório tem desempenho superior aos modelos
macro-fundamentados para explicar os movimentos do câmbio nominal, a teoria
econômica vem tentando compreender o que determina a taxa de câmbio no
curto prazo e como os fundamentos e as expectativas são incorporados à
cotação.
Dentre as linhas de pesquisa que surgiram para solucionar este paradoxo,
destaca-se a abordagem da microestrutura da taxa de câmbio. Esta literatura,
que tem seu principal trabalho em Evans e Lyons (2002), contribuiu ao unir a
literatura de microestrutura financeira à abordagem tradicional para a taxa de
câmbio, obtendo resultados empíricos substancialmente superiores ao passeio
aleatório.
A proposta desta nova abordagem é que se analise o mercado cambial no
seu nível micro, isto é, nas suas instituições, na forma como os agentes obtêm a
informação necessária para as suas decisões e nos mecanismos como esta
informação se transmite aos preços. Neste sentido, a abordagem da
microestrutura reorienta o foco de análise da abordagem tradicional para a taxa
de câmbio, mas mantendo a sua essência, isto é, buscando nos fundamentos
macroeconômicos os determinantes para a taxa de câmbio.
A variável central na abordagem da microestrutura é o fluxo de ordem, isto
é, o fluxo acumulado das transações iniciadas pelo comprador menos as
transações iniciadas pelo vendedor. A relevância do fluxo de ordem na
abordagem da microestrutura se deve ao fato deste constituir o principal me
mecanismo de transmissão dos fundamentos e das expectativas à cotação. O
impacto do fluxo de ordem sobre a cotação é o que se chama de pressão de
preço, ou pressão de compra, no mercado cambial.
O objetivo deste trabalho é comparar os mercados à vista e futuro de
câmbio no Brasil, buscando cotejá-los no que diz respeito à liderança na
formação da cotação. Quer-se identificar em qual dos dois mercados a cotação
da taxa de câmbio é mais informativa, isto é, em qual mercado a cotação se
forma primeiro. Ademais, utiliza-se a abordagem da microestrutura para fazer
previsões intradiárias e um dia à frente para a taxa de câmbio em ambos os
mercados.
Para responder a essas perguntas, utiliza-se uma base de dados inédita, a
qual contém 100% das operações do pregão da BM&F, isto é, todas as
propostas de compra, venda e negócios fechados para o mercado de câmbio à
vista e futuro, de 01/02/2006 a 31/05/2007.
O enfoque no mercado de dólar futuro se deve às características
institucionais do mercado cambial brasileiro: apenas os bancos com carteira de
câmbio podem participar do mercado de câmbio à vista no Brasil. Como estas
restrições não se aplicam ao mercado de câmbio futuro, diversas operações
típicas do mercado à vista de câmbio são transferidas para o mercado futuro de
câmbio, no seu primeiro vencimento. No capítulo 3, descreve-se
pormenorizadamente a forma de funcionamento do mercado cambial brasileiro:
as instituições, os participantes e os objetos de negociação (produtos
negociados). Mostra-se com isso que o arranjo institucional do mercado faz os
agentes priorizarem o mercado futuro ao à vista para fazer suas operações
cambiais.
Em decorrência deste fato, o mercado de dólar futuro tem maior volume
negociado e spreads de compra e venda mais estreitos que os do mercado à
vista. Além disso, a base de dados nos permite estimar o impacto que o fluxo de
ordem tem sobre a cotação em ambos os mercados: estima-se que um fluxo de
compra (venda) de moeda estrangeira de US$1 bilhão deprecia (aprecia) a taxa
de câmbio no mercado futuro em 0,99% e em 1,12% no mercado à vista. Desta
forma, mostra-se a maior liquidez do mercado futuro sobre o à vista, na medida
em que as transações têm menor impacto na cotação do mercado futuro.
Ademais, mostra-se que o locus de formação da cotação da taxa de
câmbio é o mercado futuro, sendo então esta cotação transmitida ao mercado à
vista por arbitragem. Chega-se a esta conclusão baseado em três resultados
adicionais aos mencionados acima. Primeiramente se mostra que a cotação dos
últimos dez minutos do dólar futuro afeta a cotação corrente do dólar à vista,
mas o oposto não ocorre, indicando a precedência da cotação do dólar futuro
sobre o dólar à vista. Em segundo lugar se mostra que a cotação do dólar futuro
não reage aos desvios na relação de equilíbrio de longo prazo entre as cotações
destes dois mercados, enquanto a cotação à vista reage fortemente. Em terceiro
lugar, o fluxo de ordem no mercado futuro tem elevado poder explicativo sobre
as variações da cotação do dólar à vista, mas o inverso não ocorre.
Adicionalmente, utiliza-se a abordagem da microestrutura da taxa de
câmbio para prever a taxa de câmbio, no mercado à vista e no futuro, para os
próximos cinco a sessenta minutos, bem como para o próximo dia. Os resultados
dão amplo suporte para as inovações propostas pela abordagem da
microestrutura, e tanto para as previsões diárias quanto para as intradiárias se
obteve resultados superiores ao passeio aleatório.
Esta dissertação está organizada da seguinte forma. No capítulo 2, faz-se
uma resenha da literatura, onde se apresentam os principais modelos da
abordagem tradicional da taxa de câmbio, bem como as inovações propostas
pela abordagem da microestrutura. No capítulo 3, descreve-se o funcionamento
do mercado cambial no Brasil, suas instituições, seus participantes e formas de
negociação. Ademais, apresentam-se algumas características peculiares do
mercado cambial brasileiro.
No capítulo 4, apresenta-se um modelo teórico, que busca capturar as
peculiaridades do mercado cambial brasileiro. Objetiva-se com este modelo
embasar as estimações empíricas realizadas posteriormente. No capítulo 5,
descreve-se a base de dados que contém 100% das operações do mercado à
vista e do mercado futuro de câmbio.
No capítulo 6, estima-se o modelo apresentado no capítulo 4. Comprovase
a maior liquidez do mercado futuro sobre o mercado à vista, tanto no que se
refere a spreads de compra e venda mais estreitos, quanto ao menor impacto do
fluxo de ordem sobre a cotação. No capítulo 7, estima-se o tempo médio que a
cotação leva para se ajustar a um fluxo de ordem. Mostra-se que, em média, a
cotação do dólar futuro leva 3 minutos para se ajustar ao fluxo de ordem,
enquanto o dólar à vista leva entre quatro e cinco minutos.
No capítulo 8, estuda-se de forma integrada o mercado à vista e o
mercado futuro de câmbio. Obtém-se três resultados que comprovam que a
cotação se forma primeiramente no mercado futuro, sendo então transmitida por
arbitragem ao mercado à vista. Os resultados são: i) a cotação passada do dólar
futuro afeta o dólar à vista, mas não o contrário; ii) a cotação do dólar futuro não
reage aos desvios na relação de longo prazo entre as cotações, mas o dólar à
vista reage fortemente; e iii) o fluxo de ordem do mercado futuro é informativo
sobre a cotação do dólar à vista, mas o fluxo de ordem do mercado à vista não é
informativo sobre a cotação do dólar futuro.
Por fim, no capítulo 9, comparam-se diferentes modelos para prever a taxa
de câmbio intradiária e diária. Os resultados são suporte às inovações propostas
pela abordagem da microestrutura e em todos os casos se obtêm previsões
superiores ao passeio aleatório.
Assim, a analogia que descreve a determinação da taxa de câmbio no
Brasil é “o rabo (o mercado futuro) que abana o cachorro (o mercado à vista)”,
ao invés do “cachorro que abana o rabo”.
[...] Crítica Econômica Nota Sobre a Atuação do Banco Central no mercado cambial no dia 08/10/2008 [...]
Sobre o post, só gostaria de ressaltar que existem basicamente dois tipos de regime de câmbio flutuante : flutuação limpa e suja. A diferença é que não há relatos de flutuação limpa na história.
Sobre outras coisas: Os senhores estão muito ocupados?
Po, nem o fim do neoliberalismo fez o blog ressucitar.
Fiquei sabendo de uns professores da UFRJ que acham as medidas de política da Argentina são o máximo, é verdade isso?
Àcerca da política de câmbio, específicamente o dólar, haveria muito mais o que falar. A teoria econômica está simplesmente explicando o que teoricamente teria influência na determinação do preço. Mas, se valesse essa teoria, não teria havido qualquer disparate, já que a dita cuja “está valendo” desde antes dessa confusão. Além de que o dólar é um “medicamento de amplo espectro”, quer dizer, recorrem a ele, desde uma simples inflamação até uma infecção de alto poder destrutivo à saúde, não há como achá-lo um Mertiolate, quando é um forte Benzetacil… o qual, pode não fazer nenhum efeito para o mal, como pode acabar com ele ou provocar uma reação que leve o paciente à UTI ou à morte.
Há que se considerar, ainda, as demais moedas… e o Euro? E a Libra? e… e…
Interessante o anunciado, pelo João Vieira, fim do neoliberalismo!… Uma das colunas que mais me interessa nos jornais, é a de Necrologia. Em nenhuma, vi anunciado o referido passamento. Acho que aplicaram, no ex-futuro cadáver, essa Benzetacil, deixando-o meio UTI´zado… Esse só vai acabar, quando “os mercados” passarem a se chamar “os cidadão”. No fundo, no fundo, há falta não de interesse político (que lindo….) mas de coragem e visão social. Por enquanto, os shoppings, as academias, os bares, os clubes e etc…, não podem, não convém, serem frequentados pelos cidadãos sem CEP, que jamais o terão – pelo menos, enquanto formos os hipócritas que somos, com os governos e o sistema que temos e de que não abrimos mão.
Abraços a todos, parabéns à Crítica Económica, que está cumprindo o seu papel.
A.Passos
Ade, já ouviu falar de sarcasmo? É a última moda.
Ae galera, conta essa pro Reinaldo Gonçalves e pro Franklin:
CDS argentino de 1 ano: 4300 bps. Que beleza.
Ah conta pra eles também que a tal inflação temporária tá demoraaaaando pra passar.
É verdade que eu não vi mais esse tipo de idéia por aqui, mas toda vez que alguém pensar que alta de juros -> aumento de lucro dos bancos, lembrem-se disso:
Da Folha de S. Paulo de hoje (jornal conhecido pela simpatia para com o setor):
“Juro alto reduz o lucro dos bancos,
diz BC
Levantamento mostra que ganhos de instituições que atuam no país caíram 26% no terceiro trimestre em relação ao segundo
Mas queda não significa que o setor esteja enfrentando grandes dificuldades, pois o lucro acumulado de julho a setembro somou R$ 9,8 bi
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Antes mesmo do agravamento da crise internacional, o lucro dos bancos que operam no Brasil encolheu no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Pressionados pelos maiores custos impostos pela alta da taxa Selic, os ganhos apurados pelas instituições financeiras recuaram 26% nesse período.”
É interessante a dedução: “pressionados pelos maiores custos impostos pela alta da Selic, os ganhos das inst.financ. recuaram 26%…” E outra: A Folha de S.Paulo é um “jornal conhecido pela simpatia com o setor”.
Todos os jornais, TVs, enfim, toda a mídia, são sobejamente conhecidos pela simpatia com o setor bancário-financeiro. Eles vivem “unha-com-carne”, João Vieira. Você lembra do Jornal Nacional (Globo), patrocinado por um banco (sempre é…) que quebrou, abrir a musiquinha do JN com o logo e o texto de praxe e, a primeira notícia que transmitiu, foi mesmo a da quebra do banco-patrocinador? Foi dolorosa, essa…
A mídia depende dos bancos, assim como depende do governo, não é verdade? Então, cadê a independência?
Sobre a taxa Selic e a redução dos ganhos, como é montado o raciocínio para chegar à conclusão de que ganharam menos por causa da alta da Selic? Por acaso emprestam à mesma taxa? Ou precisaram de dinheiro para a folha de pagamentos e recorreram ao BC?
Eu queria colar aqui um scanner de fatura do Itaú, mas não deu. Diz, simplesmente, o seguinte:
“Juros contratuais sobre o saldo financiado: 12,50% a.m.
…
Contratuais máximos p/financiam.próx.período:12,50%a.m.”
CUSTO EFETIVO TOTAL:
CETpara saldo financiado: 348,40% a.a. – 13,13% a.m.
CET para saque 372,49% a.a. – 13,61% a.m.
CET p/parcelam.da fatura 362,50% a.a. – 13,41% a.m.
BANCO ITAÚ S.A. 341-7″
De onde EU deduzo que o BC está cobrando das instuições financeiras juros extorsivos, impossíveis, realmente, de proporcionar QUALQUER lucro às mesmas… É por isso, também, que os bancos não têm dinheiro para emprestar. Coitados, pagando essas taxas ao BC, como podem emprestar para a sociedade? Vão ter de cobrar 1.000% ao ano, para poderem ter um reduzido lucrinho…?
João Vieira: você é ótimo. O aumento da taxa Selic NÃO TRAZ QUALQUER BENEFÍCIO AOS BANCOS!!!
Hoje, o Presidente Burla estará reunido com o BC e vai PEDIR para baixarem a tal de Selic. Ele ficou revoltado ao ver as taxas mencionadas acima, na sua fatura do cartão de crédito!!
Como o coitado vai poder pagar?
O BC com essa tal de Selic está levando até o presidente a pedir empréstimo (que os bancos não estão mais fazendo, muito menos para um metalúrgico aposentado) para poder pagar a fatura do cartãozinho de crédito…
Abraços, João Vieira – e que o menino jesus lhe traga muitas felicidades (a propósito: mandou a cartinha?).
Ade:
Você é do crítica econômica? Se for, é de rolar de rir, se não for, vai reclamar com o seu gerente, talvez ele tenha paciência pra te explicar.
Esse Ade Passos é um grande brincalhão, dei muita risada com suas ‘análises’.
Ops.
O Banco Central não tinha deixado o câmbio se apreciar “demais” para conter a inflação, porque a demanda aquecida não causa aumento desta?
E agora que tivemos uma “maxi” de 25%??? (pra efeito de comparação, a maxi de 1999 foi de uns 26%). Será que o Banco Central não está vendo uma desaceleração da demanda agregada???
Então porque ignorou a maxi e parou de subir os juros???
Se o repasse começar a se intensificar, é mais do que recomendável subir os juros, deixar a inflação já alta se acelerar não teria sentido algum.
Com certeza a experiência mostra um repasse significativo do câmbio, que ainda pode aparecer.
Mas a experiência mostra que o repasse também depende do aquecimento da economia.
Caso o debate não tenha chegado aqui, os ortodoxos estadunidenses estão morrendo de medo de uma deflação braba.
Por causa de um colapso na demanda agregada.
Será que alguém aí entende de economia?
Poderiamos opinar positivamente ou negativamente a respeito de uma crítica. Apenas colocarmos nossas posições e opiniões e respeitarmos as dos outros..
Abraços a todos
Prezado Ailson Tavares:
Os que entendem de economia, estão nos Bancos! (inclusive no Banco Central).
Nos EEUU, os que “entendem de economia” passaram para os “que entendem de economia” dos outros países, algumas batatas quentes, que só vão esfriar daqui a alguns anos. De quebra, e para confirmar a política do capitalismo mais que selvagem, os povos dos paises dos “que entendem de economia” estão financiando a inépcia dos “que entendem de economia”. Inclusive o povo americano, ora bolas, que também é filho de deus…
Para entender de economia, vc tem de ter PhD, Mestrado, etc e tal, que poderá fazer nas universidades respeitadas da capital do capitalismo, tendo, inclusive, como professores, alguns dos Que “entendem de economia” que passaram a rasteira nos que não entendem de economia, mas que participam tão ativamente, que ainda deixam os governos “acudir” aos bancos dos que “entendem de economia” com os recursos do erário, ou seja, com o seu(deles que não entendem) dinheiro… A maior prova de que é preciso “endender de economia”, de preferência obtendo diplomas das melhores universidades, é que se pode quebrar a espinha dos agentes economicos e ainda se obter mais dinheiro dos trouxas que não entendem de economia.
Deu para entender?
Eu também dou muitas risadas com as análises dos que “entendem de economia”. Já me mandaram falar com o “meu gerente”, para que ele me explicasse o que se estuda na universidade e que se lê nas “críticas” dos Iconomistas… Ó gente: será que essas historinhas aprendidas nas salas de aula, não deram condições para ninguém rastrear o que estava por vir, na Iconomia??? Claro, eu sei que é muito melhor concordar… mostra-se muita capacidade ao repetir as leis de fulano e cicrano, as curvas, as tendências, os fatos ocorridos nas épocas tais e tais, feito papagaio de pirata… Neste nosso país, não se aprende a raciocinar. Fica feio discordar. É preciso fazer citações, por mais disparatadas que se mostrem ser. Porque é que os nossos economistas não fazem um “mea-culpa” e DEMONSTRAM tecnicamente que têm estado errados, que não aprenderam a não ser a repetir, que o raciocínio deles é somente “DECORATIVO” – DE DECORAR…
(AHAHAHA…. esta foi só para aliviar o ambiente pesadão…).
Eu gostaria de ler opiniões realmente críticas. Inteligentes. Por este andar, o BC vai subir o juro para lá da estratosfera (na estratosfera já estão) e os nossos amigos vão apoiar, com os mais rigorosos apoios técnicos, brincando… sei lá de quê…
Que me desculpem as pessoas sérias que participam. Prometo não comentar mais nada, a partir de hoje.
Serei “todo ouvidos”.
Abraços