A relação entre poupança e investimento é sem dúvida um assunto gerador de muitas controvérsias teóricas. O presente artigo busca apresentar sucintamente o que significa essa relação sob a ótica do princípio da demanda efetiva (PDE), recorrendo aos seus principais formuladores, Keynes e Kalecki. Em especial, como será demonstrado, a concepção de tais autores – bem como de seus estudiosos – contrasta radicalmente com a definição de cunho (neo)clássico sob a égide da Lei de Say, a partir da qual “toda oferta cria sua própria demanda” ou, nos termos desse artigo, “toda a poupança – oferta de recursos financeiros - se converte automaticamente em investimento – demanda por recursos financeiros”.
Identidade contábil?
A relação entre poupança e investimento a partir do PDE pode e deve ser vista como uma identidade contábil. E tal constatação é válida tanto para a perspectiva teórica de Keynes quanto para a de Kalecki – embora esse último explicite com maior clareza tal identidade. A determinação da renda pelos gastos implica que, logicamente, a poupança é determinada pelo investimento e por uma questão contábil a poupança sempre será igual – ex post – ao investimento.
O conteúdo do tempo em Kalecki (1954) é puramente contábil (Possas, 1987). Kalecki define que a igualdade entre poupança e investimento – acrescido do saldo da balança comercial e do déficit orçamentário, no caso mais geral de economia aberta com governo – é válida em qualquer situação. Ademais, tal igualdade independe da taxa de juros. A partir de uma perspectiva baseada no PDE, o investimento, quando realizado, gera uma poupança necessária para financiá-lo: o investimento determina uma poupança igual e simultânea.
Keynes (1936), por sua vez, argumenta que a equivalência entre o montante de investimento e de poupança decorre do caráter bilateral das transações entre produtores e consumidores ou compradores de bens de investimento. Ademais, embora o montante de poupança seja resultante do comportamento dos consumidores e o montante do investimento seja resultante do comportamento dos empresários, tais montantes serão necessariamente iguais.
Portanto, a relação entre poupança e investimento possui o caráter de uma identidade contábil e, como será argumentado no próximo item, trata-se de uma igualdade com determinação causal definida, qual seja, do investimento para a poupança.
Igualdade ex post?
Assim como uma identidade contábil, a relação entre poupança e investimento também pode ser vista como uma igualdade – embora ex post – com determinação causal – do investimento para a poupança. Numa economia mercantil os agentes só podem decidir o que gastar, mas não o quanto receber. Ou seja, os agentes podem decidir autonomamente seus gastos, mas não sua renda. Daí se configura o PDE: são os gastos que determinam a renda, e não o contrário. Sendo a poupança uma parcela da renda e o investimento um componente de gasto, infere-se que, assim como é a demanda quem determina a oferta, é o investimento quem determina a poupança.
A poupança ex ante e o investimento ex ante não são iguais. As decisões ex ante que levam ao investimento e ao desencadeamento do processo produtivo se baseiam nas expectativas sobre a demanda – ou na demanda efetiva ex ante. Tais expectativas se confirmarão ou não e será determinada a renda total quando da realização da produção. Partindo do PDE, em termos agregados, o investimento necessariamente implica uma poupança equivalente, a qual, por sua vez, corresponderia simplesmente a uma diferença – ex post – entre renda e consumo agregados.
Como bem observa Possas (1999), a poupança não financia o investimento: quem financia o investimento é o crédito que o precede tanto do ponto de vista temporal quanto lógico. A poupança é estritamente residual e involuntária. Portanto a poupança, ao contrário do investimento, não constitui um ato de decisão.
Sob a perspectiva teórica de Kalecki, a renda – assim como em Keynes – é determinada pelos gastos, mas o primeiro distingue o padrão de gastos entre as classes – investimento, consumo dos capitalistas e consumo dos trabalhadores. A renda, por sua vez, se divide entre lucros – determinados residualmente ex post – e salários. Por meio da hipótese simplificadora de que os trabalhadores gastam – consumo – tudo o que ganham – salários -, o autor infere que os capitalistas ganham – lucros – tudo o que gastam – consumo e investimento. No entanto, vale observar, a constatação de Kalecki de que são os gastos que determinam em renda tem validade independentemente de qualquer hipótese sobre a propensão a consumir dos trabalhadores.
Em suma, a relação entre poupança e investimento pode e deve ser vista como, primeiramente, uma identidade contábil e, em segundo lugar, a partir da perspectiva do PDE, como uma igualdade com determinação causal: sendo a poupança uma parcela da renda e o investimento um componente de gasto, sob a perspectiva do princípio da demanda efetiva segue que é o investimento quem determina a poupança.
Relação de equilíbrio?
A relação entre poupança e investimento não pode ser vista como uma relação de equilíbrio entre oferta e demanda de recursos líquidos para investir no mercado de crédito. Partindo da perspectiva do princípio da demanda efetiva, a natureza de determinação do investimento é completamente diferente daquela da poupança sendo, por isso, logicamente impossível construir qualquer “gráfico” que busque expressar uma relação de ajuste – via renda, ou via juros – ou de equilíbrio entre essas variáveis.
A determinação da taxa de juros, por exemplo, conforme buscam inferir modelos de viés neoclássico, não se dá a partir da igualdade entre poupança e investimento. Investimento e poupança são variáveis de natureza distinta e, por conseguinte, a determinação da taxa de juros – ou de qualquer outra grandeza – a partir de sua igualdade não faz sentido. Investimento e poupança, por conseguinte, não se tratam de demanda e oferta por crédito. A identidade entre investimento e poupança possui natureza estritamente contábil. A poupança não é uma função da taxa de juros e sim função indireta da renda e, ademais, não representa em si uma decisão: é apenas residual da função consumo.
O reconhecimento da presença de incerteza realizado por Keynes traz à tona a crucialidade do processo de formação de expectativas, baseados no qual os agentes tomam decisões fundamentais para o funcionamento da economia, tal como o investimento. Na presença de incerteza, os agentes se baseiam em suas expectativas para tomar decisões, seja no curto – decisões de produção – ou no longo prazo – decisões de investimento. Keynes desenvolve uma “teoria geral de aplicação de ativos” que busca explicar como agentes decidem o seu portfólio. Os empresários se baseiam em suas expectativas para decidir a composição de sua carteira de ativos – financeiros, produtivos ou moeda – e, uma vez adquirido um ativo produtivo, para decidir o quanto produzir e o quanto continuar investindo. Para decidir o quanto produzir e investir, levam fundamentalmente em conta as suas expectativas com relação ao quanto realizarão de sua produção.
Já em Kalecki, o investimento é determinado pelo lucro retido, por um componente de investimento induzido e por componentes autônomos. O investimento em estoques, é determinado pela variação da renda e o investimento em capital fixo, por sua vez, é determinado positivamente pelo lucro retido – ou acumulação prévia de capital -, positivamente pela taxa de mudança dos lucros e negativamente pela acumulação de capital. A parcela de investimento induzido é norteada pelo atendimento da demanda, via variação da utilização da capacidade produtiva. Quanto à parcela de investimento autônomo – embora não desenvolva em detalhes -, o autor indica que seria explicada pelos fatores de desenvolvimento.
Enfim, partindo do princípio da demanda efetiva, em termos agregados, o investimento necessariamente implica uma poupança equivalente, a qual, por sua vez, corresponde simplesmente a uma diferença – ex post – entre renda e consumo agregados. Dessa forma, não faz sentido definir um equilíbrio entre poupança e investimento, pois seus determinantes são distintos e independentes.
Tampouco a relação entre poupança e investimento pode ser vista como uma relação de “equilíbrio” entre os consumidores, a qual seria dada pela função consumo. A função consumo não desempenha papel fundamental – contrariamente à função investimento – para a definição do PDE, embora o consumo seja parcela importante dos gastos. A forma funcional do consumo não é importante para determinar a poupança, pois essa representa sempre uma relação contábil; ou seja, não importa do que ou se o consumo é função de alguma variável – por exemplo, da renda – para que seja determinada a poupança. A função consumo é uma constatação apenas empírica: não é formulada no mesmo nível de abstração necessário para determinar o PDE. Mas, por ser o consumo também função da renda, em geral infere-se que a poupança também seria função da renda .
No entanto, tal contradição de a poupança ser função da renda seria apenas aparente pois a contabilidade e o PDE conjuntamente asseguram que a poupança seja sempre igual e determinada pelo investimento (Possas, 1999). Ademais, assumir alguma a existência de uma função consumo não implica supor que o consumo represente sempre uma proporção desejada da renda – ou que os consumidores estejam sempre em “equilíbrio”. Dessa maneira, os consumidores podem permanecer indefinidamente em “desequilíbrio” no que se refere ao quanto consomem e ao quanto poupam de sua renda, pois não há mecanismo de ajuste “virtuoso” que faça com que o consumo e a renda se ajustem de tal maneira que a sua diferença seja igual ao investimento. O funcionamento do mecanismo multiplicador é – como será discutido no item seguinte – apenas potencial: não há como definir a priori o “tempo necessário” e os efeitos necessários do mecanismo multiplicador de tal forma que o ajuste ocorra de forma perfeita. Ademais, vale observar que a poupança não tem relação lógica direta com o nível efetivo de renda – e, por conseguinte, conhecido apenas a posteriori – e sim, provavelmente com o fluxo de renda em certa medida prévia, por meio da propensão a consumir (Possas, 1987).
Ajuste temporal?
A relação entre poupança e investimento também não pode ser vista como um ajuste temporal da poupança ex post à poupança ex ante (propensão a poupar) via multiplicador, dado o investimento. A temporalidade do circuito de determinação da renda não se refere ao funcionamento do multiplicador – em Keynes ou em Kalecki. Por isso, seria preferível encarar o multiplicador de maneira estritamente lógica e atemporal ou como um mecanismo potencial e, conseqüentemente, sem definição temporal precisa (Possas 1987, 1999).
A poupança é sempre igual – ex post – ao investimento: não se faz necessário “esperar”, portanto, o funcionamento do mecanismo multiplicador para que tal igualdade se verifique. Ou, em outras palavras, a igualdade entre investimento e poupança, por ser uma relação contábil, não necessita do funcionamento do mecanismo multiplicador para ser definida. E não haveria nada de surpreendente em tal constatação uma vez que, a partir da perspectiva do PDE, a renda – bem como seus componentes – não é passível de decisão deliberada.
Enfim, conforme discutido nos dois primeiros itens, a relação entre poupança e investimento é uma identidade contábil e uma igualdade com determinação causal. Por isso, não precisa de ajustes ou de qualquer outro mecanismo – tal como o multiplicador – para que tais situações sejam observadas.
Ajuste via taxa de juros entre oferta e demanda de recursos monetários?
Por fim, a relação entre poupança e investimento também não pode ser vista como um ajuste, via taxa de juros, entre os esforços interno – privado e público – e externo de ofertar recursos monetários e reais excedentes e a sua alocação pela demanda dos investidores. De acordo com Possas (1999), quase sempre a partir da definição Sp + Sg + Sx =I (sendo Sp a poupança privada, Sg a poupança do setor público, Sx a poupança externa e I o investimento), que embora não esteja errada do ponto de vista formal, conduz a interpretações errôneas.
Primeiramente, pode-se inferir de maneira enganosa que o déficit público (T-G=Sg, sendo T os impostos e G os gastos públicos) e o déficit externo (X-M=Sx, sendo X as exportações e M as importações) não são, na verdade, determinados por gastos autônomos; e, em segundo lugar, que seriam as poupanças privada, pública e externa – seguindo tal definição – que financiariam o investimento. Outra inferência enganosa se refere à suposta complementaridade entre os “esforços” de poupança dos setores privado, público e externo. Pelo contrário, a poupança privada manteria relação negativa com a “poupança pública” e a “poupança externa”: a poupança sofreria uma redução – aumento – frente ao aumento – diminuição – delas, da mesma forma como sofreria caso ocorresse uma redução – aumento – autônoma(o) do investimento. Além disso, segundo Kalecki, um déficit orçamentário – assim como um saldo positivo na balança comercial – tem o efeito de permitir um aumento dos lucros do setor privado acima daquele determinado pelos gastos dos capitalistas.
Em suma, assim como exposto no item sobre “relação de equilíbrio”, não faz sentido falar em uma compatibilização via taxa de juros entre poupança – vista como oferta de recursos – e investimento – visto como demanda de recursos. Poupança e investimento são variáveis de natureza radicalmente diferente e, inclusive, a poupança tampouco compõe um ato de decisão, dado o seu caráter de determinação residual.
Conclusão
O presente artigo procurou apresentar de maneira sucinta o que representa a relação entre poupança e investimento sob a perspectiva do PDE. Conforme argumentado, tal relação trata-se de uma igualdade contábil com determinação causal do investimento – gasto, parcela da demanda – para a poupança – parcela da renda. E, diferentemente do que define a teoria baseada na Lei de Say, a relação entre poupança e investimento sob o PDE não representa uma relação de “equilíbrio” ou ajuste temporal via taxa de juros, pois tratam-se de variáveis de natureza essencialmente distintas.
Referências Bibliográficas
Kalecki, M. [1985(1954)]. A teoria da dinâmica econômica. Coleção Os Economistas, Editora Nova Cultural, 1985.
Keynes, J. M. [1985(1936)]. A teoria geral do emprego, da renda e dos juros. Coleção Os Economistas, Editora Nova Cultural, 1985.
Possas, M. L. (1987). A dinâmica da economia capitalista: uma abordagem teórica. Editora Brasiliense, São Paulo.
____________(1999). “Demanda efetiva, investimento e dinâmica: a atualidade de Kalecki para a teoria macroeconômica”. Revista de Economia Contemporânea, 3 (2).
ª Publicado no Boletim de Informações da FIPE em março de 2008.
¨Economista pela FEA-USP e mestranda em Economia pelo IE-UFRJ (fernanda.graziella.cardoso@gmail.com).

“A identidade entre investimento e poupança possui natureza estritamente contábil. A poupança não é uma função da taxa de juros e sim função indireta da renda e, ademais, não representa em si uma decisão: é apenas residual da função consumo.”
Mas o que acontece se o consumo for uma funcao da taxa de juros? Se o consumo presente eh funcao da taxa de juros, que determina o preco relativo do consumo hoje e amanha, entao a poupanca eh (obviamente) funcao da taxa de juros.
Em outras palavras, esse quadro teorico que voces apresentaram desmorona como um castelo de areia se voces abandonarem a hipotese do consumidor miope que ou consome toda sua renda ou eh um consumidor “autonomo” (que raios eh isso?!?)
Caro Economista 1,
Não importa qual a hipótese que se faz sobre a função consumo, a poupança é resíduo, e sendo parcela da renda, não determinável ex ante.
Aliás, o mais interessante do PDE não é o consumo, e sim o investimento, mais sujeito à volatilidade de expectativas.
“A função consumo não desempenha papel fundamental – contrariamente à função investimento – para a definição do PDE, embora o consumo seja parcela importante dos gastos. A forma funcional do consumo não é importante para determinar a poupança, pois essa representa sempre uma relação contábil; ou seja, não importa do que ou se o consumo é função de alguma variável – por exemplo, da renda – para que seja determinada a poupança. A função consumo é uma constatação apenas empírica: não é formulada no mesmo nível de abstração necessário para determinar o PDE”
Dessa forma, sua crítica não procede, pois: 1. não importa como se define a função consumo, pois a poupança sempre é resíduo; 2. o consumo desempenha papel menor comparativamente ao investimento para a explicação da dinâmica da economia capitalista; 3. a validade do PDE se verifica tão somente pela precedência lógica dos gastos sobre a renda.
“Não importa qual a hipótese que se faz sobre a função consumo, a poupança é resíduo, e sendo parcela da renda, não determinável ex ante.”
Cara Fernanda,
O que voce falou eh verdade apenas para uma economia fechada.
“Dessa forma, sua crítica não procede, pois: 1. não importa como se define a função consumo, pois a poupança sempre é resíduo; 2. o consumo desempenha papel menor comparativamente ao investimento para a explicação da dinâmica da economia capitalista; 3. a validade do PDE se verifica tão somente pela precedência lógica dos gastos sobre a renda.”
(1) eh claramente incorreto teoricamente (nao vale para economias abertas) e como aproximacao da realidade.
(2) “papel menor” nao quer dizer que seja irrelevante. Teorias macroeconomicas que “assumem” um consumo autonomo ou uma propensao marginal a consumir fixa, sao, portanto, extremamente pobres e irrelevantes para o debate macroeconomico hoje em dia.
(3) “precedência lógica dos gastos sobre a renda” — Nao entendo o que tal “precedência” signifique em uma economia aberta. Por exemplo, existe uma diferenca de 10% do PIB entre a poupanca nacional e o investimento na China…
Se voce nao tiver uma teoria da poupanca, voce nao tem nada a dizer sobre a conta corrente, e estah automaticamente alijada do debate de economia.
(Exatamente o destino reservado a quem amarrar o cavalo no poste do “principio da demanda efetiva”, querer fazer carreira em economia baseado no PDE eh como fazer carreira em astronomia estudando um modelo em que o sol gira ao redor da terra).
Economista 1,
Mantenho, minhas observações de (1) a (3) e acrescento que valem sim para economias abertas (Aliás, vc não explicou porque não valeria);
Não disse que a função consumo não é importante e muito menos que o consumo deva ser “encarado” totalmente como autônomo, uma vez que depende do poder de compra (do qual faz parte a renda);
Quanto à conta-corrente, trata-se de uma questão de contabilidade nacional e não de dinâmica propriamente dita.
Ou seja, é o resultado;
Desconfio também que temos conceitos diferentes do que é poupança;
Por fim, o PDE é um sim um princípio geral, válido para explicar especialmente a dinâmica cíclica da economia capitalista. Para o longo prazo, há que se levar em conta teorias que expliquem também processos de ruptura.
(O meu cavalo no poste do PDE – e em outros postes heterodoxos – , me auxilia no desvio do debate daquelas que considero “falsas questões” da economia).
Nao vale para economias abertas porque nestas, existe um descasamento entre investimento e poupanca nacional.
Por exemplo, em alguns paises do mundo, a diferenca entre investimento e poupanca nacional pode ser maior que 10 ou 20% do PIB (exemplo: China, Arabia Saudita).
Uma teoria de PDE – da forma que voce explicou – que ASSUME que a poupanca nacional eh automaticamente igual ao investimento nao serve para explicar o mundo, em particular nao serve para explicar a economia brasileira, onde os dados recentes mostram que o investimento estah acelerando a frente da poupanca nacional.
Caro Economista 1,
Pelo que vejo vc não entendeu muito bem o PDE. Caso vc tenha interese, sugiro que vc busque os originais de Keynes e Kalecki.
Cara Fernanda, infelizmente nao tenho tempo para chafurdar os originais do Kalecki.
Voce poderia explicar?
Considere isso como parte do seu treinamento… Nao estah fazendo mestrado em economia?
Provavelmente um dia vai lecionar, entao nao eh pedir muito que voce escreva 2 paragrafos explicando para o colega por que o PDE nao eh completamente inadequado para explicar a dinamica de economias abertas.
Caros:
Achei interessante o debate entre “Economista 1″ e “Fernanda”.
Permito-me sugerir à Fernanda, que explique o PDE, embora sucintamente, à luz de Keynes e Kalecki.
Os comentários são de junho de 2008. Por isso, mais importante se torna, agora, em Fev/março de 2009, essa explicação.
Claro que não se trata de exortar para alguma briga, como parece estar sendo encarado “pelos competidores”… esse tipo de raciocínios só vêm ajudar o entendimento melhor do assunto.
Parabéns aos dois – e, se puderem, continuem. Pela minha parte, só tenho a agradecer.
AdePassos
AdePassos,
De maneira simplificada e resumida:
À luz de Keynes, o princípio da demanda efetiva (PDE) é deduzido a partir da primazia das expectativas de demanda para direcionar as decisões de produção (expectativas de curto prazo) e de investimento (expectativas de longo prazo).
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Kalecki, a partir do seu esquema de três departamentos e da hipótese de que os trabalhadores gastam tudo o que ganham – e que portanto não poupam – deduz que os lucros dos capitalistas são determinados por seus próprios gastos – consumo e investimento. Por isso, a primazia dos gastos sobre a renda.
De qualquer forma, se tem interesse pelo assunto, fica a sugestão de recorrer aos originais. A minha dissertação também discute o assunto – facilmente encontrável na rede.
Abs,
Fernanda
Olá Fernanda, boa tarde.
Primeiramente quero dizer que descobre este site recentemente e que, por sinal, vai ao encontro de minhas idéias de formação econômica- sou recém formado em economia, obtive no final de 2008- Marx, Keynes e Galbraith.
Observei seu artigo e o debate caloroso com o Economista 1 ; embora os argumentos do mesmo queiram refutar a PDE, entretanto, a história provou ( e prova após a crise financeira) a força da revolução Keynesiana.
Gostaria de saber de sua porte, qual a melhor opção de se fazer um mestrado que enfoque sobre as idéias Keynesianas e outros economistas que fujam da ortodoxia clássica.
Obseervei que a UFRJ e a UNICAMP são as veiculadoras mais próximas. Porém, uma opinião mais sólida de quem cursa, esclarece melhor este dilema.
Atenciosamente,
Carlos Eduardo Costa
Carlos,
Acabo de responder seu e-mail. Mas, para deixar público, recomendo que faça o mestrado no IE_UFRJ.