Ricardo Summa
Em recente debate publicado na Folha de São Paulo, Alexandre Schwartsman polemiza com Lima a respeito da validade do conceito de NAIRU (sigla em inglês para taxa de desemprego não-aceleradora da inflação) e dos mecanismos tradicionais de controle de inflação.
Schwartsman começa seu texto “Ousando dizer seu nome (FSP, 08/08/2007)” com uma provocação ao seu debatedor: “Não tenho como hábito responder a pessoas com problemas para soletrar”. A fixação pela capacidade de soletrar me remete àqueles filmes norte-americanos de sessão da tarde, de concursos de soletrar, e deve ter sido adquirida por Schwartsman quando lá fez seu PhD. Mas Schwartsman parece ter trazido dos EUA mais do que hábitos estranhos, infelizmente. Trouxe teorias que soam tão estranhas quando verificadas à luz dos dados brasileiros quanto sua fixação por habilidades de soletrar. Mais que isso, a provocação carece de sentido quando se trata de um debate escrito, o que, já no nível do sarcasmo, demonstra a total falta de senso de Schwartsman com o mundo real. Afinal, na atividade acadêmica, pouco importa a capacidade de soletrar, mas sim é vital a capacidade de leitura e reflexão crítica. Aí está o maior defeito de Schwartsman, que parece não ter lido e refletido sobre alguns conceitos e documentos. Vamos a eles.
Primeiro, o tom de arrogância não é compatível com o que seus próprios mestres da ortodoxia declararam sobre os PhDs ali formados na década de 90. Na comissão criada para investigar a perda de prestígio do PhD formado nos EUA – presidida por Anne Krueger e que tinha como membros Lucas, Arrow, Blanchard entre outros – descobriram[1] que o sistema de PhD estava gerando “idiot savants”, capazes de solucionar métodos sofisticados de matemática, porém incapazes de resolver problemas elementares de economia do mundo real. Schwartsman, como bom PhD formado naquela época parece incapaz de adequar provocações e teorias econômicas para a realidade brasileira.
Schwartsman também parece não ter refletido sobre a diferença entre elementos da contabilidade nacional e teoria econômica. No mencionado artigo, Schwartsman busca ridicularizar o argumento apresentado por Lima, afirmando que, uma vez que alguém põe em dúvida o conceito de NAIRU, todo o instrumental analítico também deveria ser questionado, inclusive a noção de PIB. No entanto, as discussões sobre a medição do PIB é técnica, ainda que teorias econômicas tenham visões alternativas sobre como o produto é gerado e distribuído, ao passo que a discussão sobre a NAIRU se refere a uma teoria econômica muito particular, e que é testável empiricamente. Afinal, todos acreditam que existe e é possível medir um produto interno, apesar de questionamentos técnicos sobre sua medição e, o mais importante, isso pouco importa para a implementação de política econômica. A hipótese teórica da NAIRU, ao contrário, é sujeita a muitos questionamentos, pois depende da validade empírica da proposição de que a inflação se acelera com a diminuição do desemprego abaixo de um nível “natural” (há também a versão da NAICU, que a inflação se acelera com o aumento da utilização da capacidade produtiva acima de um nível normal) e tem grande importância para a implementação de política monetária.
Os teóricos ortodoxos não esclarecem, no entanto, que, para que ocorra a NAIRU, é necessário que exista inércia total, ou seja, mecanismos automáticos de realimentação da inflação que façam que a inflação presente seja exatamente igual à inflação passada, além dos choques de oferta e pressões de demanda.
Testando a hipótese[2]:
Tabela 1 – Inércia inflacionária por IPCA
| Dependent Variable: IPCAM, Method: Least Squares | ||||
| Sample(adjusted): 2003:01 2007:07 | ||||
| Variable | Coefficient | Std. Error | t-Statistic |
Prob. |
|
C |
0.119480 |
0.049252 |
2.425921 |
0.0187 |
|
IPCAM(-1) |
0.710360 | 0.071309 | 9.961765 | 0.0000 |
| R-squared | 0.651858 | |||
A tabela 1 demonstra que não há inércia total, e sim inércia parcial. Se houvesse inércia total, o valor em negrito deveria ser de 1,00. O valor estimado de 0,71 demonstra que a inflação perde força e só se sustenta no mesmo nível se houver choques de oferta e demanda persistentes. Dessa maneira, pressões de demanda têm efeito no nível da inflação e não na aceleração da inflação.
Outra possibilidade de haver aceleração da inflação é o caso em que existem expectativas racionais, ou seja, os agentes descobrem qual é a política do governo e a inflação passa a ser definida por eles, de maneira independente da inflação passada.
Tabela 2 – Relação entre expectativa de inflação e inflação passada[3].
| Dependent Variable: FOCUS, Method: Least Squares | ||||
| Sample: 2002:12 2007:07 | ||||
| Variable | Coefficient | Std. Error | t-Statistic | Prob. |
|
C |
2.705643 |
0.299361 |
9.038056 |
0.0000 |
|
IPCA |
0.406242 |
0.036193 |
11.22439 |
0.0000 |
|
R-squared |
0.699978 | |||
A tabela 2 demonstra que existe forte relação entre a inflação passada (últimos doze meses) e as expectativas de inflação para o ano seguinte na data em que são formadas, medidas pelo Relatório Focus. Rejeitamos assim a hipótese de que as expectativas são formadas de maneira independente da inflação passada.
Nesse ponto, Schwartsman parece desconhecer as próprias dificuldades de sustentação do modelo de inflação aceleracionista encontrados pelas estimativas do próprio Bacen[4], que descobriu que o coeficiente encontrado em sua regressão “significa uma inércia muito baixa e, portanto, um ajuste da inflação e do produto mais rápido do que parece se verificar na realidade” (Bacen(2000), p.100). Nesse ponto, o estudo do Bacen tenta subverter a lógica científica, pois, se a evidência empírica não suporta o modelo em mente, opta-se “por uma solução pragmática”(Bacen(2000), p.100)[5]. Em outras palavras, para salvar o modelo se manipula os dados.
Isso posto, deve-se rejeitar completamente a hipótese aceleracionista da inflação. Observando os dados, podemos notar que para o período do Sistema de metas de inflação, não há nenhuma relação entre aceleração de inflação e aquecimento da demanda:
Gráfico 1 – Diagrama de Dispersão – Período 1999-2006

Fonte: Freitas (2006): UMA INTERPRETAÇÃO HETERODOXA PARA AS RELAÇÕES DE TAXA DE JUROS, CÂMBIO E INFLAÇÃO NO BRASIL, 1999-2006, Dissertação de Mestrado, IE-UFRJ.
Utilizamos o gráfico com a variável de utilização da capacidade como medida do aquecimento da demanda, pois em um país com média de 10% de desemprego (segundo os dados oficiais) mais uma enorme quantidade de trabalhadores com “emprego” no setor informal chega a ser tão estranho importar uma teoria de “desemprego natural” quanto é estranha a fixação por habilidades em soletrar no Brasil. Infelizmente, quando não são manias pessoais e sim teoria econômica descolada da realidade, que se transforma em política econômica do Bacen, resulta em desastre econômico (crescimento abaixo da média mundial, desemprego e alto nível de informalidade).
Assim, reiteramos não pertencer a nenhuma das duas tribos em conflito: não acreditamos nem que inflação gera aceleração do crescimento e nem que o crescimento da demanda acelera a inflação. Acreditamos que a inflação brasileira depende de fatores de oferta e distributivos e que a inércia não é total. Dessa forma, a política do BC em derrubar a demanda agregada para colocar a inflação dentro da meta não faz nenhum sentido e traz um custo social enorme.
Ricardo Summa, Economista, Doutorando em Economia no IE/UFRJ e membro do grupo “Crítica Econômica” (http://criticaeconomica.wordpress.com).
[1] Report of the commission on Graduate Education in Economics, Journal of Economic Literature, vol XXIX, setembro de 1991. [2] É importante notar que foram testadas diversas defasagens diferentes e nenhuma deu significativa quando estimadas em conjunto com o parâmetro constante. Como o parâmetro deu significativo, optou-se por mantê-lo. [3] A propósito, a partir dos testes ADF e Teste de Cointegração, verifica-se que as variáveis são não estacionárias e cointegram. [4] Órgão do qual foi Diretor e adora ressaltar tal fato em seu curriculum. Relatório de inflação do BCB, Março 2000. [5] A solução pragmática encontrada foi somar coeficientes de duas regressões diferentes para tentar aproximar o modelo da inércia total, e assim justificar a necessidade de derrubar a demanda quando a inflação chega próxima à meta via aumento da taxa de juros.

Summa,
está excelente!!!
Caro Summa,
O seu artigo está excelente. Realmente eu não sabia nem que aquilo era uma piada….mas como você mesmo disse, se fosse apenas essa falta de criatividade o problema seria bem menor.
Grande Abraço
Você chama isto de teste empírico? Não tem variáveis de controle, não tem teste de estacionariedade, não há testes de robustez; só alguém que aprendeu a usar o e-Views. Em qualquer universidade séria esta regressãozinha tomaria pau… E ainda quer posar de crítico.
Marcos,
Analisando os dados de maneira simples já é possível ver que: a) a inércia não é total (me prove com seus testes sofisticados que eu estou errado…) b) As variáveis de expectativas (focus) são correlacionadas com a inflação passada.
Note que eu apenas disse o mesmo que o relatório do Bacen de 2000.
Marcos, cabe a você apresentar um teste econométrico me provando que as expectativas são exógenas ou que existe inércia total. Enquanto isso, fico com meus testes simples.
Caro Ricardo Summa,
Muito interessante a sua análise. Lendo o citado documento do BACEN, sobre o sistema de metas de inflação, é realmente curioso ver como, diante dos resultados econométricos obtidos pelos dados brasileiros, os números estimados são prontamente abandonados em benefício do “pragmatismo”. Certamente, a análise dos dados foi feita por técnicos com formação em universidades conceituadas como muito “sérias”, segundo os mais rigorosos métodos econométricos. Pena que eles não aderiram à realidade brasileira.
Parabéns pela análise.
Viviane,
Obrigado por ressaltar esse “deslize” do estudo do Bacen.
Também andei pesquisando uma dissertação feita na FGV-RJ, que provavelmente o Marcos consideraria uma faculdade séria, e descobri isso:
http://epge.fgv.br/portal/arquivo/2093.pdf
Interessante notar na pág. 28-29, quando o autor calcula a curva de Phillips, que ao colocar na mesma equação a inflação esperada e passada como explicação da inflação corrente, a inflação passada fica “não significativa”. Note que se ele tivesse feito a análise dos dados, ele perceberia a correlação entre inflação corrente e esperada, e assim detectaria que tal regressão com certeza daria problema. ´
Aí ele passa meio batido ao fazer um teste para a soma de parâmetros (como assim, somar um parâmetro significativo com um não significativo???), e volta a estimar a equação sem a inflação passada.
Essa regressão foi aprovada.
Regra no. 1 do ortodoxo quando tenta ser crítico: desqualificar o instrumental do oponente para assim desviar a atenção do resultado empírico que refuta suas hipóteses. Testes estatísticos simples são perigosos porque os resultados são excessivamente claros…
abraços
Tem um tremendo viés de variável omitida nesta formulação. Sugiro olhar o texto do André Minella, Afonso Bevilqua e Mario Mesquita (Taming inflation expectations).
Fora isto a inflação é variável endógena, em princípio afetada (entre outrass variáveis) pelas expectativas, o que sugere a necessidade de uso de variáveis instrumentais.
Além disto o diagrama de dispersão entre NUCI e inflação não controla para câmbio e expectativas; assim, não há como se surpreender com a falta de resultados (se o modelo é mal especificado, de fato você não encontra a relação, mas isto é falha do modelo).
Fernando:
Testes estatíticos simples são perigosos porque geralmente estão errados. Esta é a razão pela qual se fazem testes de robustez:(a) o modelo sobrevive a mudanças de período amostral (no caso em questão há mudança do comportamento do Focus entre 2002 e 2007? Minella et alli sugere que sim)? (b) o modelo sobrevive a mudanças das variáveis explicativas (ex: a meta de inflação serve como âncora de expectativas).
Louvável usar intrumental estatítico, mas precisa saber como…
Marcos,
Engraçado que o próprio texto que vc citou (http://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps129.pdf), na pagina 24 demonstra que a inflação passada influencia as expectativas. Dessa maneira, elas não são exógenas, concorda?
Resta ainda uma possibilidade da inflação acelerar com pressões de demanda: que a inércia seja total. Mas não é possível encontrar inércia total (continuo pedindo que vc ache um texto que demonstre a existência de inércia total, para validar a NAIRU).
Em outro artigo que encontrei, (http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-80502006000100008&script=sci_arttext), o autor demonstra que não existe inércia total para os setores desagregados e nem que a utilização da capacidade instalada é significativa para explicar a inflação.
Sobre a taxa de câmbio: aí sim entramos no debate crucial. O texto postado nessa página do Alexandre Freitas mostra que é a taxa de câmbio é a variável crucial para a determinação da inflação. Chegamos então na proposição do grupo crítica econômica: 1. a inflação no Brasil depende basicamente de choques de oferta, o qual a taxa de câmbio é variável crucial; 2. A inércia não é total, e a inflação não tende a se acelerar; 3. A variação da utilização da capacidade ou outros items de demanda não influenciam a inflação, quão mais a aceleração da inflação.
Marcos e demais,
É interessante notar que o artigo citado por Marcos faz uma regressão para explicar as expectativas de inflação. A variável mais relevante segundo o estudo é a meta de inflação, ainda que se aceite que a inflação passada é uma variável explicativa.
Dessa maneira, o Marcos disse que meu modelo estava mal especificado porque não incluia outras variáveis, como por exemplo a meta de inflação.
Mas um pequeno raciocínio às vezes ajuda. A meta de inflação não é fixada arbitrariamente, mas levando em conta a inflação passada e a expectativa de como a política monetária (via taxa de juros e seus efeitos na apreciação da taxa de câmbio). Eis que eu testei a relação entre metas de inflação e inflação passada(-1) e elas estão relacionadas, são cointegradas, etc. ´
Ora, se a inflação passada determina a meta de inflação, então dá na mesma fazer a regressão do meu jeito ou do jeito proposto, pois afinal, se estará regredindo Expectativas x Inflação passada…
Marcos, disso surgirá outro artigo a ser publicado no Blog. Espero mais referências de artigos ortodoxos.
Esse gráfico é impressionante. Quem tem que provar que as conclusões desse gráfico não valem é quem afirma que a inflação é resultado da demanda, pois o resultado dele é muito claro: não há qualquer relação entre a aceleração inflacionária e o aumento da utilização da capacidade ociosa no Brasil desde adoção da meta de inflação. Alguma coisa está errada no debate economico, pois A faz a afirmação X e B mostra com um gráfico bastante claro que a afirmação X não se sustenta com os números. Depois A fala que essa prova não vale porque teria que se fazer infinitas coisas, mas não mostra nem um dado favorável da sua afirmação, nem porque a ausência desses “testes” inviabiliza a conclusão que se chegou com os dados, nem que se forem feitos tais “testes”, isso irá demostrar a afirmação X. O problema é que os heterodoxos as vezes ficam acuados e os ortodoxos continuam com suas afirmações categoricas baseados em fatos irrealistas e que só batem com os dados depois de muita marretada nos dados. Vou fazer uma afirmação controversa: Acho que há um complexo de inferioridade heteroxa, sendo que a gente que tem a melhor teoria, com os pressupostos mais realistas e com os casos mais bem-sucedidos de desenvolvimento ao nosso lado. Só falta os neoclássicos dizerem que:
1) as políticas implementadas no Leste Asiático foram ortodoxas;
2) o Brasil nos últimos 17 anos foi dirigido pelos economistas heterodoxos;
3) Os economistas da Argentina de Menem e de La Rua foram heterodoxos;
4) A Argentina de Kirchner é ortodoxa;
5) Os economistas que fizeram a transição da ex-repúblicas soviéticas adotaram o receituário heterodoxo.
Nesses 10 anos de estudo de economia, eu já aprendi os ortodoxos são capazes de argumentos impressionantes. Um dos que eu mais gosto é: O Brasil cresce pouco porcausa do governo JK. Muito muito engraçado. Acho que os ortodoxos são na verdade um bando de humoristas e a gente ainda não se tocou disso.
Concordo completamente com vc Bruno, quando diz que há um certo complexo de inferioridade entre os heterodoxos, que em geral têm argumentos logicamente mais coerentes e empiricamente mais consistentes, porém muitas vezes acabam acuados. Acho que isto tem menos a ver com ciência e muito mais a ver com política mesmo (ou com a ’sociologia da comunidade científica’ como alguns chamam) porque porque por piores que sejam os argumentos ortodoxos eles têm acabado sempre no poder. Lembremos por exemplo de 2002 quando muitos de nós votamos no atual presidente e pouco depois vimos ele nomear como Secretário de Política Econômica um ortodoxo conhecido (que nem vou citar o nome pra não dar ibope pra ele, mas todos lembram quem é), frustrando já na saída boa parte daqueles que achavam que agora teríamos ao menos um pouco mais de política econômica desenvolvimentista. Pra mim ser heterodoxo na verdade é um exercício de resistência da lógica e da boa ciência contra aqueles que só querem se opor a qualquer transformação. Acho esse blog um grande instrumento pra isto. Abraços.
Caro Marcos,
eu gostei muito de suas ponderações. Estou ansioso para ouvir sua resposta aos argumentos do Ricardo.
atenciosamente,
Gustavo
Marcos,
acho que você não compreende um princípio básico da lógica científica.
Quem tem que ter o ônus da prova e realizar todos os testes estatísticos é quem fez a proposição teórica inicial.
Isso não está feito e não existe!
Levantaram uma hipótese teórica e o Ricardo Summa está mostrando que essa hipótese é incompatível com dados empíricos.
QUEM TEM QUE DEFENDER UMA HIPÓTESE NÃO É O RICARDO SUMMA,
É O BANCO CENTRAL E, AGORA, VOCÊ.
Não conhece lógica e “E ainda quer posar de crítico”
estamos esperando suas regressões.
Pedro
Caro Ricardo Summa,
sou editor do Jornal dos Economistas, publicação do Conselho Regional de Economia-RJ, e recebi seu texto com indicação para publicarmos nas páginas do JE. Como também recebi outro texto do Coletivo Crítica Econômica – Quem ganha com o pensamento único? – estou editando os dois na edição de Setembro do Jornal, já em fase adiantada de fechamento. Contudo, preciso, primeiro, consultar o Coletivo se há algum problema em replicar estes textos nas páginas impressas em papel do Jornal dos Economistas? Creio que não, contudo, consultar nunca é demais, é meu dever, como editor. Uma segunda questão é que não li texto original do Schwartsman, na Folha, daí um esclarecimento sobre o “Lima”, citado por você na segunda linha do seu texto. Imagino que, como eu, mtos outros leitores não tiveram também acesso ao texto do “Lima” e nem do A.Schwartsman. Caso concorde, você o Coletivo, com a republicação no JE desses textos acima relacionados, por gentileza me esclareça: quem é o Lima? Qual nome completo pra q eu possa esclarecer na edição do JE?
Grato e parabéns ao Coletivo e a vc, pelo texto. Aguardo. Meu correio é: nilosgomes@uol.com.br
Nilo Sergio Gomes
Editor JE
O “Lima” se refere a Luiz Antonio de Oliveira Lima, publicado no Valor Econômico (“Friedman, metas de inflação e o Coelhinho da Páscoa”, 20/07/2007)
[...] da inflação - também não se verifica. Afinal, há indícios de inércia inflacionária parcial em um país que tem uma massa trabalhadora totalmente “insegura” para reivindicar aumentos [...]
Caros Bruno e Fernando,
A vitória ídeo-política dos neoliberais sobre as correntes heterodoxas, não deve ser entendida como uma superioridade gnosiológica, teórico-metodológica da escola neoclássica sobre seus adversários. Ela só pode ser correta e plenamente compreendida a partir de um ponto de vista socialmente mais amplo, em que se leve em consideração o quadro político dos anos 1980 e início dos 1990, que marca a reafirmação da inserção periférica e dependente do Brasil nos novos circuitos do imperialismo internacional e da nova divisão internacional do trabalho, que têm como marca o padrão financeirizado de acumulação capitalista.
Como diriam Marx e Engels em A Ideologia Alemã, “os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes; em outras palavras, a classe que é o poder material dominante numa determinada sociedade é também o poder espiritual dominante”.
Summa,
Gostaria muito que voce guardasse esse teu artigo, quem sabe daqui ha alguns anos, quando voce tiver um treinamento a nivel avancado de graduacao em econometria, voce vai se divertir rindo da falta de rigor de seus testes.
Abracos,
Hegeliano de Niteroi.
Hegeliano,
Talvez nesse dia eu me divirta também pensando como naquela época as pessoas acreditavam na hipótese aceleracionista da inflação quando na verdade todos os testes empíricos (não apenas os meus absolutamente simplórios e toscos) indicavam o contrário.
Quem viver, verá.
Hegeliano,
Olhe só a conclusão dos estatísticos (e portanto com grau avançado em econometria) a respeito da dinamica inflacionária brasileira:
“Nós estimamos modelos auto-regressivos tradicionais com p variando de 1 a 12 usando dados da
taxa de inflação brasileira, a partir das séries do IGP-DI e do IPCA. O valor ótimo de p para cada série
foi selecionado através da minimização do Bayesian Information Criterion (BIC) de Schwarz (1978) e a
estimação dos parâmetros auto-regressivos foi realizada por máxima verossimilhança (MV). O modelo
selecionado para as séries do IGP-DI e do IPCA foi aquele com p = 1. Nós investigamos as funções
estimadas de autocorrelação residual do modelo AR(1) para ambas as séries. Para a série do IGP-DI, todas
as autocorrelações residuais encontraram-se dentro do intervalo assintótico de 95% de confiança, e para
a série do IPCA apenas uma delas estava fora deste intervalo, sugerindo assim que a representação autoregressiva
AR(1) é suficiente para filtrar a correlação serial em ambos os casos. Realizamos ainda o teste
Ljung–Box da hipótese nula de não-correlação da série residual. Este teste forneceu p-valores de 0.9985
e 0.0837, respectivamente, para as séries residuais IGP-DI e IPCA; assim, não rejeitamos a hipótese
de não-correlação da série residual ao nível de significância de 5%.
Desta forma, concluímos que o modelo AR(1) está bem especificado para representar ambas as séries. Os coeficientes auto-regressivos estimados foram 0.612 (IGP-DI) e 0.756 (IPCA).”,
Muito parecido com os meus testes toscos (AR(1), parâmetro 0,71)
Fonte: Maia, Criari-Neto Junho: Dinâmica inflacionária brasileira: resultados de auto-regressão quantílica. RBE, 2006.
Abs
Summa
Ricardo,
Sua estatistica pode ser admitidamente tosca, mas o problema maior foi de econometria, isto eh, as regressoes que voce estah estimando nao tem nada a ver com as perguntas que voce estah tentando responder.
Como disse antes, voce deve ser jovem e tem muito a aprender. Se algum dia resolver fazer o esforco para aprender, voce vai querer voltar para esse blog e apagar esse seu artigo…
Abracos,
Hegeliano
Caro Summa,
“Os teóricos ortodoxos não esclarecem, no entanto, que, para que ocorra a NAIRU, é necessário que exista inércia total”, se vc acha q a NAIRU não existe então vc acredita que não exista uma taxa de desemprego natural (são aproximadamente sinônimos) ?
Você disse que não acredita que o crescimento da demanda não leva a aceleração da inflação, logo vc não acredita que haja um trade-off entre inflação e desemprego, pois um crescimento da demanda só irá afetar o desemprego (redução). Pq vc não faz um estudo econometrico e verifica se quando há crescimento da demanda não leva a uma aceleração da inflação?
Rafael
Caros colegas,
Bom trabalho. Continuem exercitando seu raciocíonio crítico e não se deixem acuar pelos ortodoxos. Abraços a todos,
José Luis Oreiro
P.S : convido-os a visitar o meu blog http://www.jlcoreiro.wordpress.com.